Toshio Shimada

O Japão legalizou o trabalho dos tatuadores?

Não é possível que, nos dias atuais, aquela tatuagem de bichinho no seu calcanhar seja mal vista em algum lugar, como um sinal de que você tem algum tipo de ligação com gangues ou com o crime organizado, certo? Errado. No Japão ainda existe um grande estigma social em relação à arte da tatuagem.

Os japoneses possuem muitas etiquetas sociais e são conhecidos pela hospitalidade e educação. Porém, quando o assunto é tatuagem no Japão as coisas podem ser diferentes. A arte de tatuar no país ainda é proibida, pois sempre foi ligada a máfia japonesa e por isso é criminalizada e proibida em onsens, piscinas e alguns locais públicos.

Qualquer marca de tinta aparente no corpo é considerado um grande constrangimento no Japão, seja turista ou japonês. Portanto, quem tem uma tatuagem que seja aparente nos braços, por exemplo, deve sempre cobri-las com roupas longas para demonstrar respeito aos outros que ainda são preconceituosos à prática. E, por lei, lojas e comércios podem se recusar a atender pessoas tatuadas por causa das convenções sociais.

Algumas casas de banho colocaram horários especiais em que a arte era permitida, outros distribuíram curativos para cobrir as do tipo pequenas, entre outras medidas.

A polêmica toda gira em torno do estigma que tatuagens têm para o povo japonês. É uma história tão complexa quanto antiga. O preconceito da sociedade remonta ao período Edo quando criminosos eram marcados com tinta na pele, onde havia uma marca para cada delito específico.

Quando a Yakuza (famosa máfia japonesa) surgiu no país durante o período Edo, os membros da organização utilizavam a arte para se identificarem e destacarem em meio a sociedade e outras organizações criminosas. Em vez de proibir explicitamente a Yakuza, seria mais fácil rejeitar qualquer pessoa com tatuagens.

O Japão é um dos países que mais atraem turistas no mundo atualmente e a presença de estrangeiros no país ajuda a melhorar a visão da sociedade japonesa em relação as tatuagens. No entanto, a mudança é lenta e a legalização é algo que não deve acontecer tão rápido por lá, devido à pressão social negativa e as diversas leis que existem.

Recentemente, uma dessas leis foi abolida, onde agora é permitido tatuar sem ter necessariamente uma licença médica. Entretanto, ainda é preciso abolir as leis que proíbem pessoas tatuadas de trabalhar e serem atendidas dignamente em estabelecimentos. E também, é claro, naturalizar a arte na sociedade, pois a discriminação da tatuagem é antiga e algo quase que cultural no Japão. De certa forma, as pessoas que têm ou que gostam de tatuagem, devem ter também um certo respeito com esse costume do pais.

No Japão existem muitos banhos públicos, um costume já muito antigo. Caso uma pessoa tatuada entrasse em um banheiro público, as pessoas ao seu redor sentiam medo devido a ligação das tatuagem com grupos criminosos. Por isso os locais públicos tem muitas restrições à entrada de quem tem tatuagem.

A rejeição vem principalmente dos locais públicos que colocam “KEEP OUT TATTOO”, como:
・ Onsen (fonte termal)
・ Sento (banho público)
・ Praia
・ Piscina
・ Ginásio esportivo
・ Tokyo Disney Resort

Até mesmo alguns hotéis em sua hospedagem pode ser negada pelo fator de ter uma tatuagem, o mesmo vale para restaurantes e algumas lojas.

Mesmo nos dias de hoje os locais públicos decidiram não aceitar quem tem tatuagem, mesmo que seja pequena ou escondida. Porque é difícil para eles distinguir se a pessoa que tem tatuagem faz parte da Yakuza ou não.

Mas por que existe essa grande rejeição pela tatuagem na sociedade japonesa?

No passado, os criminosos eram tatuados como com caracteres na testa no período Edo (1603 ~ 1868). Irezumi (tipo de tatuagem no Japão) era uma das penalidades. 

Em 1872, essa pena foi abolida, mas a tatuagem passou a ser ilegal até 1948. Por causa de sua formação histórica, as pessoas no Japão têm uma imagem negativa sobre estes e outros motivos sobre a tatuagem.

Depois de 1872, embora a tatuagem fosse proibida, Yakuza (membros de sindicatos do crime organizado transnacional) ou Boryokudan (grupos violentos) se tatuavam para demonstrar lealdade ao seu grupo e demostrarem seus atos de bravuras. Em decorrência disso, a tatuagem se estabeleceu como um símbolo de Yakuza ou Boryokudan. Durante muito tempo, o Japão era uma ditadura militar governada por uma elite samurai corrupta que havia barricado o país do mundo exterior e imposto uma hierarquia social estrita à população.

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