Toshio Shimada

  • Toshio Shimada

    DESENHOS PARA TATUAGEM: IDEIAS E TÉCNICAS PARA COMEÇAR A SE DESENVOLVER NO RAMO.

    Quer começar a desenhar mas não sabe por onde começar?

    Então vamos falar de como fazer e criar idéias, criar desenhos que possam ser usados para tatuagens, nunca é fácil e todos sabemos, mas isso é uma questão de prática e conhecimento, quase sempre os  clientes entram em contato com o tatuador e trazem apenas a idéia e uma referências do que eles desejam fazer, e é nessa hora que vem o uso do seu conhecimento junto do seu talento.

    Aprender a desenhar é algo muito importante e muitas vezes você vai pensar que desenhar é um bicho de sete cabeças, neste post vou contar um pouco de como eu faço para criar meus desenhos e como faço para buscar inspirações, porque quanto mais você desenha, mais idéias aparecem e mais possibilidades existem para criar algo novo e adotar um estilo de arte que você se Identifique.

    Muitas pessoas pensam que a tatuagem não é diferente de desenhar no papel, mas isso não é verdade, existem algumas habilidades importantes sobrepostas, e ser um tatuador não é o mesmo que ser um desenhista.

    Esta era a minha mesa de desenho em 2012 quando eu estava trabalhando na Noruega na cidade de Larvik.

    Sempre quando observamos artes feitas por artistas, temos a sensação de que não é necessário ter conhecimento técnico avançado em desenho para criar uma obra de arte, com isso, muitos estudantes novatos têm a ilusão de que não são necessárias técnicas para criar novos desenhos para começar a trabalhar com tatuagens.

    Vale a pena lembrar de que quando se trata de tatuagem não podemos levar como exemplo o Pablo Picasso, porque brincar de Picasso na pele e achar que você tem um estilo pessoal e único querendo fazer seu próprio estilo, não seria uma boa ideia, sua técnica de desenho é o resultado de uma escolha conceitual, e não o resultado de não saber desenhar.

    Conhecer técnicas de desenho é essencial, especialmente sabendo que o ato de fazer uma tatuagem deve estar livre de erros, caso contrário, você poderá comprometer a pele do seu cliente e obter uma péssima reputação no mercado da tatuagem.

    Por ser um trabalho realizado por pessoas, fica claro que algumas falhas podem ocorrer, porém, os erros devem ser evitados o máximo possível e nesse caso, também são necessárias técnicas para “encobrir” ou mascarar essa imprecisão.

     

    Saiba o quanto é importante desenhar todos os dias.

    No início não sombreie nada, apenas concentre-se em fazer linhas fortes e bem definidas, crie seus rascunhos a lápis ou pode ate usar o iPad, faça isso todos os dias, desenhe coisas usando referências com o máximo de detalhes possível.

    As tatuagens são muito definidas pela linha, então acostume-se a pensar nas coisas que você desenha como sendo compostas de uma coleção de linhas, comece a desenhar coisas cada vez mais detalhadas, como desenhos que tenham diversas medidas de traços, traços finos e traços grossos, use papéis de transparência como papel vegetal ou papel manteiga, você pode ter uma mesa de luz para finalizar seus desenhos também.

    Neta foto eu mostro um exemplo como eu usei as patas de galinha para criar as garras de Dragão.
    Nesta foto um exemplo de como patas de galinha para criar as garras de dragão.
    Toshio Shimada Preparando desenho para um cliente em uma convenção de tatuagem na Espanha.

    A visão de uma iniciante no ramo.

    Iniciei a um ano na tatuagem, e comecei sem saber meu rumo e estilo de desenho, então enquanto treinava a aplicação da tinta em pele sintética, estudava diversos tipos de desenho até me identificar com as histórias e arte oriental.

    Assim comecei a acompanhar artistas com o estilo que me interessou, pesquisando em livros e pela internet, buscando temáticas e inspirações, tudo fica muito mais simples quando você se identifica com um tipo de arte, mas nada te impede de estudar vários.

    japanese tattoo

    (Iniciante Vivi no estúdio Shimada Tattoo, instagram @vivi.persona)

    Inicialmente você procura ilustrações com a temática que escolheu, por exemplo uma Hannya, e se esforça para redesenhar várias vezes até aperfeiçoar seu traço e o deixar semelhante ao que usou de referência.

    Muito importante lembrar que tatuar é bem diferente de desenhar no papel, mas chega um momento em que você adapta até a velocidade do seu traço nas ilustrações ou segura o papel como seguraria uma pele na hora de tatuar.

    Tudo depende do tempo, paciência e da prática, nada se aprende da noite pro dia, desenhar diariamente e treinar com frequência em pele sintética ajuda na sua evolução.

    O convívio com outros tatuadores em estúdio te auxilia também em aprender técnicas de desenho, pela troca de experiência e críticas construtivas.

  • Toshio Shimada

    OTAFUKU/OKAME: A MASCARA DA BOA SORTE | TATUAGEM JAPONESA

    Otafuku/Okame

    Esta máscara japonesa tem dois nomes, Otafuku e Okame, Otafuku significa literalmente “Muita Boa Sorte”, e Okame significa “Tartaruga”, um símbolo de sorte para uma vida longa, Otafuku representa uma mulher japonesa adorável e sempre sorridente que traz felicidade e boa sorte a qualquer homem quem se case, ela também é conhecida como a deusa da alegria.

    Okame, também conhecido como Uzume ou Otafuku é o nome de uma das máscaras femininas do teatro tradicional japonês de Kyogen . Ela é considerada a deusa da alegria e é frequentemente vista na arte japonesa. Suas bochechas cheias e olhos alegres são uma visão inesquecível e deixam qualquer um feliz ao ver. Alguns estudiosos japoneses teorizam que há muito tempo, quando as primeiras imagens de Okame foram criadas, podem ter representado uma forma idealizada da beleza feminina.

    As máscaras normalmente são de uma expressão neutra, e cabe a cada artista utilizar sua habilidade para trabalhar com a máscara, através de diferentes posturas, posições da cabeça e movimentos cuidadosos, um artista pode manipular sua máscara para transmitir diferentes emoções.

    O uso de máscaras não está isolado somente no teatro Noh, ele tem sido usado em todo o mundo há centenas de anos.

    No teatro Noh a ideia era de que o público desses shows de máscaras reconhecesse seus personagens principais imediatamente, cada personagem tem sua própria máscara e maneiras diferente de se de se mover, e o ator teria que estudá-las cuidadosamente para fazer sua interpretação.

    O equivalente mais moderno a isso seria uma novela, quando você pode dizer quase imediatamente qual personagem é o herói e quem não está tramando nada!

    As tatuagens inspiradas em máscaras de  Okame são mais populares para os homens, pois diz a lenda que ela traz boa sorte para homens casados ou estão a procura de uma esposa, mas isso é apenas para homens, as mulheres que fazem tatuagens de máscaras Okame normalmente fazem por ser a da deusa da felicidade e a representação da beleza natural feminina.

    Fazer uma tatuagem é quase como se casar, alguns dizem que é uma das decisões mais permanentes da vida!

    Parceiro de Okame

    Falando em casamento, em festivais no Japão onde são feitas as performances com danças Okame, ela é vista acompanhada do personagem Hyottoko (Homem de Fogo)

    Essas duas máscaras são unidas em produções no teatro Noh e estão associadas também na arte moderna, como na tatuagem, tanto que muitas pessoas que fazem tatuagens de Okame também fazem uma tatuagem de Hyottoko, muitas vezes você verá Okame em um braço e Hyottoko em outro.

    Hyottoko é um personagem cômico, e sua aparência se refere à comédia de suas cenas de dança como um bêbado cambaleando.

    Ele às vezes é chamado de “homem do fogo” porque sua boca está franzida em um lado do rosto dando a ilusão de que está soprando fogo.

    Uma das lendas de Hyottoko diz que quando criança ele era um garotinho de cara engraçada que conseguia produzir ouro de seu umbigo!

    Hyottoko e Okame formam um belo par, e algumas pessoas mantêm estátuas ou amuletos dos dois juntos para trazer felicidade à sua casa ou empresa.

  • A lenda do dragão de oito cabeças
    Toshio Shimada

    YAMATA-NO-OROCHI: A FAMOSA HISTÓRIA DO DRAGÃO DE OITO CABEÇAS | TATUAGENS JAPONESAS

    O dragão de oito cabeça chamado de Orochi é o mais temível dragão da mitologia japonesa, esta criatura lendária tem uma de suas cabeças representando um elemento: fogo, água, terra, vento, veneno, trovão, luz e a escuridão do universo, seus olhos brilham como a luz do fogo e era um gigante, tanto que as histórias o descrevem com o tamanho de oito montanhas e oito vales, seu corpo, coberto de musgo verde como cedro, estava constantemente queimando como as chamas de um vulcão, rios de sangue correm ao seu redor e ele carregava um reluzente sino, cujo som era sinistro e temido pela população local.

    Existe uma estátua de Susa-no-O e Yamata-no-Orochi (Estação Izumoshi)

    O Yamata-no-Orochi é talvez o mais assustador de todos os muitos monstros mitológicos do Japão. Segundo o Kojiki (livro mais antigo sobre  história do Japão antigo), essa temível serpente tinha oito cabeças e oito caudas, com um corpo grande o suficiente para abranger oito vales e uma superfície de tal magnitude que nela cresciam musgos e arvores, diz-se que a barriga da fera estava coberta de feridas vermelhas e sangrentas, e seus olhos brilhavavam como a luz do fogo.

    Até o nome da besta é estranho e misterioso, “Yamata” significa “oito garfos”, referindo-se ao tipo de garfo ramificado como de uma árvore.

    Existe uma grande dúvida, essa fera sempre foi descrita como tendo oito cabeças, porem a besta poderia ter nove cabeças, já que “Ya”, que significa “oito”, também pode significar “um grande número”, o Yamata-no-Orochi pode ter sido uma serpente com muitos pescoços.

    Com a combinação de uma aparência aterrorizante, grandes proporções e detalhes enigmáticos, essa criatura é perfeita para exercitar sua imaginação.

    Gravura (cujo autor é desconhecido para mim) representando Susano e Yamata-no-Orochi (representado na forma de um Tatsu ou Ryu ). As taças cheias de saquê (na parte inferior da imagem) provam que esta é de fato a batalha entre os Kami das Tempestades e o Dragão de Koshi.

    Dizem que o Yamata-no-Orochi fazia visitas frequentemente a vila de Izumo (localizada na atual província de Shimane) todos os anos para devorar meninas. Um ano, coube a Kushi-nada-hime ser sacrificada, a última de oito filhas, cujas irmãs morreram da mesma maneira antes dela, no entanto, ao saber da situação da menina, a divindade Susa-no-O se ofereceu para matar e dominar esta terrível fera em troca da mão de Kushi-nada-hime em casamento.

    Em preparação para sua luta com a grande serpente, Susa-no-O preparou um saquê extremamente forte e serviu em oito jarras, quando Orochi chegou, enfiou uma cabeça em cada jarra e bebeu todo o saquê, que bêbado logo adormeceu, vendo a grande chance, Susa-no-O atacou a criatura, rasgando-a e cortando-a em pedaços e, finalmente matando a grande ferra.

    Depois que Susa-no-O matou Orochi, ele notou uma espada magnífica aparecer da cauda da besta Susa-no-O pegou a lâmina e a ofereceu a Amaterasu no Céu, esta espada era Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi, que mais tarde seria conhecida como Kusanagi-no-Tsurugi, um dos três tesouros sagrados do Regalia Imperial do Japão.

    Desta forma, Susa-no-O derrotou Orochi, casou-se com Kushi-nada-hime e se estabeleceu para viver em Izumo.

    As cobras e serpentes sempre foram vistas como divindades associadas à água por milênios e em muitas culturas, Yamata-no-Orochi não foi diferente, este ser é visto como o representante do rio Hii na província de Shimane, a aparição e eventual salvação neste mito de Kushi-nada-hime, que poderia ser considerada a deusa dos campos de arroz, sugere que o conto pode ser interpretado como aquele que se relaciona com a proteção das inundações provocadas pelas divindades da água em plantações. O mito também foi visto como relacionado à Idade do Ferro, pela barriga vermelho-sangue do Orochi lembrando as chamas da produção de ferro e a criação milagrosa de uma espada como a cauda da besta, significando o nascimento do armamento feito de ferro.

    Um dos mitos dos hititas, a mais antiga cultura da Idade do Ferro no mundo, também fala de uma serpente, chamada Illuyanka, e sua morte pelo herói Hupasiyas. De acordo com esta história, Hupasiyas realizou um grande banquete para enganar Illuyanka a aparecer de um buraco no chão, Hupasiyas deu à serpente uma grande quantidade de comida e vinho e então atacou e matou a fera, uma vez que ela ficou muito gorda para escapar de volta pelo buraco. Este antigo mito tem muito em comum com o conto de Orochi, com ambas as criaturas encontrando um fim violento nas mãos de heróis astutos que usam a generosidade da terra para derrotá-los.

    A história de Orochi também reflete em parte o famoso mito grego de Perseu e Andrômeda, no qual um herói luta e derrota uma grande fera para salvar e depois se casar com uma mulher entregue como sacrifício, este é um tema comum em muitos contos heróicos de todo o mundo e vive hoje em histórias de donzelas sendo resgatadas de dragões por príncipes.

    O mito de Yamata-no-Orochi traz consigo uma grande variedade de temas, alguns específicos da cultura japonesa e outros de ressonância mais universal. Este conto reflete o fascínio humano pelo encontro da terra e da água, e até mesmo a herança comum das civilizações orientais e ocidentais. Podemos dizer que para pesquisar sobre esta história não faltam artigos espalhados pela internet, muitos animes estão inspirados nestas lenda que envolvem os dragões.

    Até os dias de hoje a existências dessas criaturas continua sendo um mistério que só conhecemos através de historias!

  • Toshio Shimada

    DRAGÃO: SIMBOLISMO E SIGNIFICADO SOBRE A TATUAGEM JAPONESA

     A HISTÓRIA E TODA A MITOLOGIA POR TRÁS DO DRAGÃO

    Este ser mitológico tem sua origem na China e tem uma ligação com a  família NAGA (sânscrito) de criaturas serpentinas protetoras do budismo, a tradição de dragões no Japão vem predominantemente da China, imagens do dragão reptiliano são encontradas em toda as partes da Ásia, e a forma pictórica mais amplamente reconhecida hoje já era predominante nas pinturas a tinta chinesas no período Tang (século IX dC).

    O inimigo mortal do dragão é a Fênix, assim como a criatura homem-pássaro conhecida como Karura. Em contraste com a mitologia ocidental, os dragões asiáticos raramente são descritos como malévolos, embora temíveis e poderosos, eles são igualmente considerados justos, benevolentes e portadores de riqueza e da boa sorte.

    No Japão os dragões são vistos de forma diferente do que no Ocidente, os japoneses veem os dragões como benfeitores e protetores da humanidade.
    Em tatuagens eles simbolizam bravura, sabedoria, força e proteção.
    Os dragões de cor escura de tons preto e cinza estão associados à experiência e sabedoria, os dragões verdes estão associados à todo o equilíbrio na natureza e fertilidade nas plantações e a vida, os dragões amarelos representam todos os tipos de valores e virtudes, os dragões azuis são os que representam todos os mares, rios e a chuva, também tem o poder de controlar as tempestades.

    Os dragões são um dos símbolos mais importantes na cultura e mitologia do Japão e em todo Leste Asiático, eles estão em muitas culturas espalhadas pelo mundo, embora a origem dos dragões venham da cultura chinesa e se estima existir há mais de 6.000 anos.

    Os dragões tem um papel importantes em muitas crenças populares em toda a Ásia. A tradição do dragão vem muito antes do nascimento do budismo na Índia (estima se por volta do século V aC). O budismo foi introduzido na China nos séculos I e II dC, e no Japão no século VI dC. No século IX dC, os chineses incorporaram o dragão na filosofia e na iconografia budistas como o protetor de vários Budas e das leis budistas. O dragão também é considerado um metamorfo. Essas tradições foram adotadas pelos japoneses, tanto na China quanto no Japão, o caractere 龍“dragão” era frequentemente usado em nomes dos templos, ainda hoje, a maioria dos templos zen japoneses tem um dragão pintado no teto de seus salões e assembléia, o dragão por ser também um ser que vem da água, são muito usados como talismãs contra os incêndios.

    SIMBOLISMO DO DRAGÃO. O dragão corresponde à estação da primavera, à cor verde/azul, ao elemento madeira e à propriedade da virtude, acredita se que ele é o protetor das terras e lavouras e controla a chuva, também é o símbolo do poder do Império. Ele é freqüentemente emparelhado com a Fênix, pois os dois representam tanto o conflito quanto a felicidade conjugal. Tanto na China quanto no Japão, o simbolismo do dragão e da fênix está intimamente associado à família imperial – o imperador (dragão) e a imperatriz (fênix). O dragão também representa o princípio, muitas vezes retratado cercado por água ou nuvens, tanto na mitologia chinesa quanto na japonesa, o dragão está intimamente associado ao reino aquático, e diz-se que quatro reis dragões governam os quatro mares.

  • Toshio Shimada

    BAKENEKO: A LENDA DO GATO SOBRENATURAL JAPONÊS

    No mundo dos Yokais existem muitos seres que são frutos da imaginação e criatividade dos antigos habitantes do Japão, neste post vamos falar um pouco sobe O Bakeneko “Gato fantasma” (化け猫) é um Kaibyō ou yōkai, um ser sobrenatural do folclore japonês com certas habilidades e metamorfose muito parecidas com as de um Kitsune, Tanuki ou até de um Inugami, podendo também mudar e evoluir sua forma à medida que vão atingindo certa idade. os antigos habitantes de pequeno vilarejos no Japão diziam  que os gatos possuíam habilidades sobrenaturais acreditando ate que eles eram gatos fantasma ou ate mesmo monstros. O gato Bakeneko se tornou muito popular entre os amantes da das tatuagens de temas yokai japonesas. Os gatos sempre foram usados como inspirações para vários tipos de arte e na tatuagem não poderia ser diferente. No Japão existem muitas historias que envolve esses amigos felinos, o que nos da uma infinita opção para criar as belas tatuagens inspiradas em gatos.

    No antigo Japão os gatos eram vistos como fantasmas por ser animais noturnos e seus olhos brilhavam com a luz das lanternas o que assustava muitos as pessoas que acreditavam que isso eram sobrenatural dos gatos. Quando as cidades estavam sendo formadas e os humanos começaram a viver longe dos campos e da natureza formando suas pequenas comunidades urbanas, logo começaram a aparecer os gatos fantasma que acreditava que eles possuíam poderes sobre naturais, também a interpretação das pessoas da época de que o gato fantasma sempre aparecia entre os humanos para fazer suas travessuras nas madrugadas frias de inverno do Japão.

    Além disso existe a crença popular  do Bakeneko “como  as lanternas (Andon) que eram abastecidas com óleo de peixe muito usadas no período Edo, acreditavam que o gato se aproximava dessas lanternas para lamber o óleo e isso era algo muito estranho para as pessoas da época. Talvez isso seja porque o óleo de peixe era usado somente para acender o fogo que iluminava as lanternas, e os gatos costumavam a lamber esse óleo de peixe das lanternas e assim pensavam que os olhos dos gatos se acendiam como a luz das lanternas. No antigo Japão muitas pessoas se alimentavam basicamente de grãos e vegetais e raramente se comia carne, as pessoas vendo os gatos se alimentarem com os resto de animais e peixe, então isso fazia crer que essa era a razão desses  gatos possuir tal poderes sobrenaturais. Os gatos tinha habilidade de se levantava sobre duas patas e caminhar em direção as lanterna para lamber o óleo e isso parecia que o gato estava fazendo uma performance como uma dança satânica, o que causava o medo entre os moradores. 

    Existem várias lendas sobre o bakeneko em todas as partes do Japão, mas o conto do distúrbio de Nabeshima Bakeneko na província de Saga ao extremo sul do Japão é especialmente  a mais famosa.

    Em um dos inúmeros contos populares sobre esses gatos, esta ligado à imagem de uma prostituta que trabalhava em um tipo de distrito da luz vermelha, uma área com muita damas de companhia que era as famosas gueixas. Foi no período Edo que se deu a origem ao personagem ” Kaneko Yujo ” que se tornou popular pelo livro Kusosogami muito famoso da época. Bakeneko yūjo (Bakeneko prostituta), e uma historia que são usado muito em conto e peças de teatro Kabuki e também em romances conhecidos com livros de capa amarela( 黄表紙 ) e também nos livros de contos ( 咄本 )  ganhando popularidade quando apareceu como esta personagem criada com base na teoria da ” gata fantasma mulher Iimori ” que percorria  pela pousada Shinagawa, naquela época e conta-se que a prostituta que costuma trabalhar nos arredores do parque que ela se transformava em um Bakeneko  toda à meia – noite.

    O faz um gato se transformar em um Bakeneko

    • Se o gato for mantido preso por muitos anos;
    • Se o gato crescer até um certo tamanho;
    • Se a calda do gato tiver a cauda muito grande.
    • Se o gato atingir uma certa idade

    Entenda a adoração dos japoneses por gatos!

    Existe ate um dia especial para estes felinos no Japão, dia 22 de fevereiro e comemorado o Neko no Hi, o dia do gato em todo o Japão. O dia do gato é comemorado com entusiasmo e esta data são comprados muito presentes, passeios são planejados, tudo para agradar aos nosso amigos felinos. Há diferentes formas de celebrar a data, muita pessoas posta fotos engraçadas nas redes sociais, fazem cosplay com os bichanos, fazem biscoitos e donuts decorados com imagens de gatos, compram mimos para os felinos e até são lançado produtos novos no mercado especialmente para comemorar o dia dos gatos.

    Na verdade, no Japão a figura do gato é muito mais tradicional e profunda, do que apenas a adoração pela fofice desses felinos, afinal, muita gente deve pensar: “O que os japoneses enxergam de tão especial no gato?” 

     

  • Toshio Shimada

    IREZUMI: POR QUE AS TATUAGENS SÃO TÃO DISCRIMINADAS NO JAPÃO ATÉ OS DIAS DE HOJE?

    No Japão em qualquer onsen (parque de aguas termais) ou casa de banho uma das primeiras coisas que você vai ver são as placas que não é permitido a entrada de pessoas com tatuagens, mesmo as pequenas ou que não sejam do estilo japonês não são permitidas, a sociedade japonesa acredita que pessoas com tatuagens geralmente estão ligadas ao crime organizado principalmente pela máfia Yakuza, mas qual é a verdadeira história por trás disso? Por que, afinal, as tatuagens no Japão ainda tem esse enorme preconceito.

    Em geral, pessoas com tatuagens são proibidas de entrar em fontes termais ou casas de banho públicas no Japão, mesmo sendo estrangeiras com tatuagem de estilo ocidental, a justificativa de não permitir a entrada de pessoas tatuada é para manter os Yakuzas distantes e fora de estabelecimentos onde eles podem causar problemas ou simplesmente assustar outros banhistas com sua mera presença.

    As tatuagens realmente têm uma história muito rica no Japão e por trás das belas imagens existem muitas simbologias e misticismos em forma das Irezumi, tatuagens tradicionais japonesas.

    Irezumi é uma palavra em japonês que se traduz literalmente como “inserindo tinta”. A tatuagem japonesa sempre teve seu próprio estilo e foi mantido ao longo dos séculos, geralmente feito à mão usando varas de bambu e agulhas de metal presas em sua ponta. No Japão, a tinta é chamada sumi e é feita de carvão, geralmente são usadas para a caligrafia japonesa. Este tipo de tinta é também usado na tatuagem tradicional japonesa, tanto tatuadores ou escultores são chamados são chamados de Horishi, esta palavra traduzida é literalmente escultor.

    Mesmo nos tempos atuais a tatuagem é uma questão de classe social no Japão, a associação de tatuagens e criminalidade é muito forte, e muitos estrangeiros com tatuagens que visitam o Japão geralmente enfrentam restrições para frequentar as fontes termais, piscinas, onsens, praias ou até hotéis mais tradicionais. Em 2013, uma mulher maori com sua tatuagem facial da tribo ta moko foi proibida de entrar em uma fonte de água termal na cidade de Hokkaido ao norte do Japão.

    Apesar de muita discriminação há uma estimativa de mais de 3.000 tatuadores trabalhando atualmente no Japão em 2022, em comparação com aproximadamente 200 no ano de 1990 o número subiu bastante. Há 30 anos atrás os tatuadores tinham apenas clientes por meio de indicações e divulgavam nas poucas revistas do gênero, com o declínio da popularidade entre os Yakuza e a falta de novos membros na máfia, vem surgindo uma nova clientela que é formada de empresários, executivos e aficionados pelo estilo de tatuagem tradicional japonesa.

    Hoje boa parte da demanda de tatuagens feitas pelos tatuadores no Japão vem de estrangeiros – acredita-se que uns 70% dos clientes são estrangeiros, turistas ou residentes no Japão, muitos jovens japoneses já não tem interesse em se tatuar, grande parte da sociedade no Japão é contra as tatuagens sejam grandes ou pequenas, tradicionais japonesas ou não! Os amantes da famosa arte chamada no Japão de Irezumi, ainda acreditam que um dia ela possa ser vista como qualquer tipo de arte.

     

  • Toshio Shimada

    YAMABUSHI TENGU – O SACERDOTE DA MONTANHA

    Tengu, como é mais conhecido no Japão, assim como o cachorro celestial para os chineses, são conhecidos por sabotar os humanos e fazer suas travessuras para distrair a atenção dos budistas que estavam em busca do caminho da iluminação, os Tengus são de longe as figuras mitológicas mais diabólicas encontradas nas tatuagens tradicionais do Japão, eles são vistos como divindades e demônios, e colocando sua estatura divina de lado, nem sempre são seres bonzinhos, eles se tornaram tão notórios por seus modos travessos que quase qualquer infortúnio, inconsequente ou catastrófico, pode ser atribuído a essas criaturas lendárias das florestas e montanhas.

     São chamados comumente de Karasutengu e Daitengu, e são retratados em muitas imagens de tatuagens tradicionais japonesas, tanto no Japão como também em toda parte do mundo, eles podem ter bico de pássaro ou nariz de Pinóquio, sendo suas encarnações mais populares e suas formas de máscaras usadas no teatro Noh (também aparecem em representações de corpo inteiro). Independentemente de seus muitos disfarces, as tatuagens de um tengu tendem a acentuar sua natureza maníaca, dando-lhes expressões perturbadas e contorcidas. 

    Estes seres são como goblins, tem as características de um pássaro e freqüentemente são encontrados entre as crenças populares no Japão, na literatura e em suas representações pictóricas. Esses seres derivam o nome do deus chinês da montanha Tiangou (Tengu 天狗), mas também estão relacionados à divindade budista alada Garuda (homem pássaro).  Os tengus no folclore japonês, são como pássaros e conhecidos como karasutengu, karasu que significa “corvo”, além disso, os tengu são vistos como transformações keshin 化身 das divindades xintoístas yama-no-kami 山 の 神, os guardiões das montanhas que vivem no alto das árvores. 

    Existem dois tipos físicos, karasutengu 烏天狗 com a cabeça e bico de um pássaro, e o konoha tengu 木 の 葉 天狗 com um corpo de um humanoide, que tem asas e um nariz longo, este tipo de tengu geralmente carrega um leque de penas em uma das mãos, por causa de seu nariz comprido, os tengu são associados à divindade xintoísta Sarutahiko 猿 田 彦, que tem aparência de um macaco.

    As máscaras de tengu tem um papel importante em muitos festivais religiosos, os primeiros contos acabaram se tornado populares no Japão, como os de KONJAKU MONOGATARI 今昔 物語 (início do 12c), retratavam os tengus como inimigos do budismo, os sacerdotes achavam que os incêndios que aconteciam nos templos eram causados pelos tengus.  As primeiras representações de tengu foram no período Kamakura  emaki 絵 巻, como o Tengu zoushi emaki 天狗 草紙 絵 巻 (1296), Nezu 根 津 Museum, Tóquio, que acreditavam que padres arrogantes acabam se tornando tengus, segundo a lenda, quando o jovem guerreiro Minamoto Yoshitsune 源 義 経 (1159-89) estudou esgrima com o mestre tengu Soujoubou 僧 正 坊 em Kuramadera 鞍馬 寺 nas montanhas ao norte de Kyoto. 

    Os tengu são frequentemente mostrados em fotos relacionadas à vida de Yoshitsune , incluindo as telas de batalha de Hogen-Heiji 保 元 平 治, Metropolitan que se encontra no Museum de Nova York, representações do tema de Hashi Benkei 橋 弁 慶 (Benkei 弁 慶 at the Bridge). O daimyo do período Momoyama 大名 Kobayakawa Takakage 小早川 隆 景 (1533-97) supostamente mantinha relações com o mestre tengu Buzenbou 豊 前 坊. 

    As historias sobre os tengus mudou gradualmente ao longo dos séculos, por exemplo, pensava-se por muito tempo que os tengus sequestravam crianças, ja no período Edo eram recrutados para ajudar na busca por crianças desaparecidas nas florestas, da mesma forma, os tengus tornaram-se guardiões do templo e imagens esculpidas deles foram colocadas sobre ou ao redor dos edifícios. 

    Os tengu também estão associados aos yamabushi 山 伏 (ascetas da montanha), cuja forma eles freqüentemente assumiam, eles são retratados usando o quepe e manto característicos de yamabushi . 

    Ilustrações de tengu aumentaram em popularidade e variedade durante o período Edo, geralmente refletindo a concepção mais positiva e até alegre do demônio outrora feroz, em particular, o nariz longo do tengu carregava um significado cômico e sexual nas gravuras de ukiyo-e 浮世 絵.

    A primeira aparição no Japão foi mencionada no livro ” Nihon Shoki ” pelo Imperador Shomei em 9 de fevereiro ( 637 ), quando uma enorme estrela rugiu como um trovão no céu da cidade e fluiu de leste para oeste, as pessoas diziam: “É o som de um meteoro”, “É trovão ” e assim por diante, naquela época, o padre erudito, que voltava do Tang Min disse “Não é um meteoro é um Tengu, a voz latindo de um Tengu lembra um trovão.”

    Foi um Tengu que apareceu como meteoro no livro japonês Nihon Shoki no período Asuka, mas depois disso, não existe registro sobre chamar qualquer tipo de meteoro de Tengu em nenhum documento e, a visão do Tengu na China não se enraizou no Japão. 

    Sua metamorfose não parou por aí, ao longo dos últimos 500 anos, eles também assumiram uma forma humana – daitengu , também conhecido como “grande tengu” – com seus bicos se tornando narizes longos e fálicos.

    As lendas sobre tengu são intrigantes, as histórias mais fascinante sobre eles vem da vida real, durante o período Edo, quando a figura do tengu começou a ser popularizada, um menino chamado Torakichi alegou ter sido sequestrado por um poderoso tengu da floresta, ele desapareceu por semanas e depois apareceu misteriosamente em sua aldeia nas montanhas, sua grande história sobre ser sequestrado por um tengu tornou-se objeto de tanta intriga, que um estudioso chamado Hirata Atsutane, veio interrogá-lo sobre a experiência, e logo publicou o relato de seu tempo com Torakichi em 1822, o texto contém transcrições de suas conversas, nas quais a criança descreve eventos como o demônio ensinando-o a voar e domínio sobre espadas e também brincando com um dragão e seres místicos da floresta.

  • Toshio Shimada

    QUAIS SÃO OS SIGBIFICADOS POR TRÁS DA TATUAGEM JAPONESA DE HANNYA!

    A arte asiática sempre ocupou um lugar apreciado na indústria da tatuagem em todas as partes do mundo, na região central de são Paulo, no bairro da Liberdade (o bairro japonês) as Imagens ligadas à mitologia japonesa antiga são um dos temas mais populares na tatuagens feitas por Toshio Shimada. Recentemente em um vídeo de um tarabalho feito por Toshio no Tik Tok de uma tatuagem usando a mascara de Hannya ultrapassa os mais de 5 milhões de visualizações, a máscara de Hannya já se tornou um Ícone entre os amantes da tatuagem.

    Neste post vamos falar mais um pouco sobre essa fascinante e misteriosa máscara japonesa!

    As tatuagens no estilo japonês não são apenas bonitas, elas também são muitas vezes repletas de um rico simbolismo e com uma rica história por trás, gostaríamos de mergulhar mais fundo na história e no significado por trás de um dos pilares da arte da tatuagem no estilo japonês, a máscara Hannya (às vezes confundida com a máscara Oni (demônio) ou a pintura facial do teatro Kabuki).

    A história da máscara Hannya

    Esta máscara imponente e de aparência formidável se parece muito com um feroz demônio à sua primeira vista, mas no entanto, suas origens são baseadas em história reais,  e também são muito mais profundas do que se imagina, para entender melhor sobre a máscara de Hannya, precisamos voltar ao século XIV. Ela apareceu pela primeira vez em uma variedade bem conhecida do famoso teatro japonês conhecido como “Teatro Noh”, que era muito popular naquela época, os atores faziam suas representações em peças Noh interpretando histórias por meio de gestos enquanto adornados com máscaras intrincadas.

    As máscaras de Hannya são muito usadas em peças Noh para representar uma mulher que ficou tão dominada pelos sentimentos de tristeza, inveja ou raiva que acabou obtendo a forma de um demônio, e em algumas situações era confundida com dragão ou serpente. Suas características proeminentes são uma boca cheia de dentes afiados, olhos aterrorizantes de um monstro sombrio, além de presas e dois chifres seu rosto mantém uma certa aparência feminina de uma jovem mulher.

    Significados e simbolismo da máscara Hannya

    A própria máscara representa a raiva e a dor feminina e é demoníaca, raivosa, assustadora e perigosa, ao mesmo tempo que é atormentada, desolada, melancólica e triste. Dependendo do ângulo em que a máscara física estiver sendo segurada, a expressão parecerá zangada ou triste. No geral, a ideia por trás da máscara Hannya é representar as emoções intensas que podem vir à tona quando uma mulher calma e sábia é traída ou desprezada.

    Embora a história geral e a aparência da máscara possam parecer sombrias, a palavra Hannya em japonês na verdade significa “sabedoria” e as próprias máscaras são consideradas um símbolo de boa sorte. No Japão de hoje, as máscaras são freqüentemente usadas como meio de afastar o mal.

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  • Toshio Shimada

    FŪJIN O DEUS DO VENTO, UM DOS MAIS ANTIGOS DEUSES XINTOÍSTAS QUE ESTÁ PRESENTE NA TATUAGEM JAPONESA.

    A indústria da tatuagem moderna nos dias de hoje está repleta de novos estilos e tendências interessantes que atrai olhares de diversos púbicos, nos últimos anos tatuagens em estilo aquarela e os hiper realismos cheios de efeitos parecendo photoshop tomaram o mundo das tatuagens, muitos estilos novos que despertaram a adoração dos fãs dessa arte, também mais recentemente os personagens dos desenhos animados japoneses e também do mundo dos vídeos games, tem surgido muito entre um público, que são os pós adolescentes e até mesmo pessoas com uma certa idade.

    Tatuagens feitas em cor preta usando diversos desenhos que variam entre escritas pequenas e coisas abstratas se tornaram bem populares chamadas de estilo black work, também houve um aumento na popularidade de tatuagens feitas no rosto usando caracteres japonês ou ate mesmo escritas em inglês sem muita preocupação ao que refere a significado. Entre tudo isso e os novos estilos de tatuagem modernos o que não mudou ou deixou de existir foram as gigantes e clássicas tatuagens de estilo japonês.

    Por mais empolgantes que sejam os novos e brilhantes estilos de tatuagens modernos, os clássicos desenhos japoneses estão cada vez mais procurados por um publico que busca mais que um estilo de tatuagem, eles buscam muito mais que somente a beleza dos traços e cores dos clássicos desenhos japoneses usados na tatuagem do Japão, além do tempo e toda história guardada em cada personagem ou figura, a fama da tatuagem japonesa carrega uma longa tradição no mundo da tatuagem. Como um aceno repleto de ondas que vai e vem, a tatuagem japonesa permanece com uma gigante onda que carrega figuras mitológicas como a que gostaríamos de mergulhar um pouco mais fundo neste post, dando uma olhada em uma das figuras mais proeminentes da mitologia japonesa frequentemente retratada em tatuagens clássicas de estilo japonês, o deus do vento, Fujin.

    Escultura de Fūjin do templo 
    Sanjūsangen-dō em 
    Kyoto Japão . 
    Período Kamakura , século 13

    Fujin (風神, “Deus do Vento”) ou Futen (風天) também usado pelos japonês, o deus do vento é um dos mais antigos deuses xintoístas, ele é retratado como um poderoso ser mitológico que controla os poderes do vento, a aparência desse ser é de um humanoide de cabelo vermelho de pele verde vestindo roupas feitas com pele de leopardo, carregando uma grande bolsa de ventos em seus ombros, na arte japonesa, a divindade é frequentemente representada junto com outro ser mitológico chamado Raijin, o deus dos raios, trovões e tempestades.

    Segundo as antigas histórias do Japão, ele estava presente com Amaterasu (deusa do sol) na criação do mundo, e quando ele deixou o vento sair pela primeira vez da sua bolsa, tornou se claro a neblina da manhã e preencheu o espaço vazio entre o céu e a terra, e assim o sol brilhou, acredita-se que ele vive acima das nuvens junto com Raijin, o deus do trovão.

    Geralmente é representado carregando um grande saco de tecido (ou pele de animal), repleto de ventos, quando ele abre este saco, libera uma rajada de forte ventania. Na mitologia, Fujin e o deus dos trovões, Raijin junto com Amaterasu são responsáveis pelo controle climático do universo, por isso quase sempre são representados juntos (em algumas versões eles são interpretados com irmãos), supostamente seriam alguns dos inúmeros filhos de Izanagi.

    Diz a lenda, que mesmo antes dos humanos habitarem o planeta terra, em uma discussão entre estes seres pelo controle climáticos do mundo, em uma batalha, o deus Fujin arrancou o braço esquerdo do deus Raijin, e algum tempo depois, os dois deuses voltam a serem amigos e Amaterasu recuperou o braço perdido de Raijin para que este continuasse produzindo os raios e trovões.

    As crenças tradicionais atribuem o fracasso da invasão dos mongóis através do mar do Japão no ano de 1274 a uma tempestade criada pelo deus Fujin, que e mais conhecida como Kamikaze (kami: divino e kaze: vento).

    A iconografia do deus Fujin pode ter sua origem em trocas culturais ao longo do período em que a Rota da Seda se avançava pelos mais diversos territórios, começando com o período helenístico, quando a Grécia ocupou partes da Ásia Central e Índia, o deus grego do vento Bóreas tornou-se o deus Wardo na arte Greco budista, em seguida, uma divindade do vento na China (Tarim), e finalmente na divindade japonesa que se interpretaria no deus Fujin.

    aqui abaixo separamos uma serie de imagens de tatuagens usando a imagem do deus do vento Fujin.

    Veja também no meu canal do youtube sobre a mascara do tengu. No folclore japonês: Tengu (天狗) significa “cachorro dos céus” e este nome tem origem em um ser celestial canino chinês (Tien Kou). A palavra “tengu” é originária do chinês “tien-kou”, que significa “cão celestial”.

  • Toshio Shimada

    TATUAGEM JAPONESA – BACKGROUND E COMPOSIÇÃO

    Nos termos gerais quando se trata sobre tatuagem no Japão, geralmente é chamada de IREZUMI. Mas, mais especificamente, o estilo tradicional de tatuagem japonesa é popularmente conhecido pelos japoneses como WABORI . Nos tempos antigos isso era feito basicamente à mão, usando agulhas presas a varas de bambu, e é técnica conhecida como TEBORI,  que significa literalmente entalhar ou gravado à mão. Esse método ainda é praticado nos dias de hoje n o Japão restando poucos artistas que usa essa técnica, embora os contornos quase sempre sejam feitos à máquina. A tatuagem feita com máquina é conhecida como KIKAIBORI , mas os japoneses ainda podem chamar como WABORI, o que importa são os desenhos e formato fundo e composição da tatuagem.

    COMPOSIÇÃO.

    Tradicionalmente, a tatuagem japonesa é caracterizada por uma riqueza de detalhes em sua composição. Isso é obtido por meio de alto contraste, traços robustos e fortes, e compondo um fundo que complementa e contrastam com o primeiro plano da tatuagem. Há também um foco em posições e formas dinâmicas que transmitem uma sensação de movimento, tanto como em ilustrações, quanto na tatuagem em geral, uma vez que é posicionada no corpo fazendo uma forma de vestimenta muito conhecida pelos amantes da tatuagem japonesa como “bodysuits“.

    Geralmente, o uso de cores fortes e brilhantes ajuda o primeiro plano a se destacar do fundo totalmente, que é sempre feito em preto e cinza. Em uma peça que é totalmente preta e cinza, em nenhuma parte do fundo são usados cores como azul ou verde, os espaço negativo e deixando a pele aberta para manter a legibilidade da imagem. Em ambos os casos, uma quantidade de partes em preto deve estar presente no fundo para criar o contraste, não apenas entre o primeiro plano, mas entre os elementos do próprio fundo. É por isso que quase sempre o artista vai completando primeiro o fundo para estabelecer as partes mais escuras da tatuagem e, a partir dessa base, mantendo um contraste adequado em relação aos tons usados ​​nos desenhos da tatuagem.

    DESENHOS E TEMAS MAIS USADOS EM TATUAGEM JAPONESA.

    Os desenhos mais usados em tatuagem no se refere aos personagem ou criatura que aparece no primeiro plano de um trabalho. Há uma grande variedade de temas para escolher no mundo da tatuagem japonesa, geralmente as imagens são retiradas a partir de gravuras em xilogravura da era Ukiyoe no Japão. Muitos artistas da arte de xilogravura famosos, como Hokusai, Kuniyoshi, Kyosai, Kunisada, Kunichika, Yoshitoshi, Utamaro e muitos outros, são as referencias para muitos tatuadores que fazem tatuagens tradicional japonesa.

    Aqui separei como exemplo os desenhos mais usados como primeiro plano como os mais clássicos:

    • Carpa ( koi )
    • Dragões (ou Ryuu em japonês)
    • Guerreiros, Como da Historia do “108 Heroes of the Suikoden”
    • Tigres ( Tora )
    • Cães shi shi ou Foo Dog.
    • Oni (demônios malévolos)
    • Máscaras do teatro noh japonês ( A mais popular é Hannya )
    • Phoenix (ou Hoho)
    • A raposa (ou kitsune)
    • Tengu (seres sobrenaturais com cabeça de pássaro)
    • Kappa (espíritos do rio)
    • Vários monstros ou yokai
    • Fantasmas (ou yurei)
    • Várias divindades budistas e xintoístas específicas
    • Várias flores: flores de cerejeira (ou sakura), folhas de bordo (ou momoji), flores de peônia (ou botan), flores de crisântemo (ou kiku)
    • E alem de muitos desenhos do folclore japonês.

    PARTES IMPORTANTES SOBRE O FUNDO.

    Para o fundo da tatuagem, deve-se considerar o ambiente e a estação adequados ao assunto. Os elementos de fundo tradicionais são barras de vento, nuvens (frequentemente chamadas de nuvem de bolha), espirais de vento, água, ondas de dedo e rochas. Tudo isso deve ser feito exclusivamente em tons de preto e cinza, pois isso separa o primeiro plano do plano de fundo de forma mais eficaz. Muitos indivíduos têm pares de flores tradicionais (por exemplo, uma peônia tradicionalmente acompanha um shi shi). E muitos temas e flores estão associados a uma estação ou ambiente específico. Isso pode resultar em maneiras “corretas” e “incorretas” de colocar o assunto, o acompanhamento e o plano de fundo juntos. E onde o objetivo final é unir seções tatuadas do corpo em um todo, ou body, é importante manter essas características consistentes.

    Para o cliente, todos esses elementos podem ser escolhidos por causa da história que contam e do simbolismo que carregam, ou simplesmente porque atraem o usuário em um nível estético. Muitos dos elementos têm significados ou histórias específicos, mas muitos são mais vagamente simbólicos e alguns são simplesmente visualmente atraentes. No Lighthouse, nossos especialistas em tatuagem japoneses adoram fazer os clássicos, mas convidamos os clientes a explorar a enorme variedade de assuntos disponíveis para eles dentro do gênero de tatuagem tradicional japonesa.