Ainus: a tribo que popularizou a tatuagem no Japão

Que O Japão, como todos nós sabemos é um país com uma forte hegemonia étnica. E por muitos anos deixou de reconhecer a existência e, sem exagero, a grande contribuição cultural de um povo que ajudou a escrever, inclusive na própria pele a historia do pais. Estou falando de uma tribo indígena predominante no período Edo conhecida como Ainu アイヌ, que significa ”humanos”, em tradução literal.

As origens do povo Ainu não são claras, mas segundo Richard Siddle, professor da Universidade de Hokkaido que pesquisa o grupo indígena, uma cultura Ainu emergiu no norte do Japão por volta do século 13, e viviam entre a região Hokkaido (antiga ilha Ezo) e a ilha principal do Japão. A população Ainu ainda existe, e os números oficiais cotam 25 mil pessoas, com 17 mil vivendo no Japão. Por outro lado, acredita-se que somando ao todo, descendentes da sociedade japonesa e russa esse número pode chegar a 200 mil. Muitos deles migraram para Sakhalin, no Extremo Oriente russo.

Ainu e as Tattoos

O termo Ainu moderno para tatuagem é nuye que significa “esculpir” e, portanto, “tatuar” e “escrever”, ou mais literalmente, sinuye “esculpir-se”. O antigo termo para tatuagem era anchi-piri (anchi, “obsidiana”; piri, “corte”).

Acredita-se que todos os fenômenos naturais (incluindo flora, fauna e até objetos inanimados) tenham uma essência espiritual para os Ainu, e animais específicos (por exemplo, ursos marrons, orcas, corujas) eram homenageados em cerimônias e rituais. “Deidades espirituais” chamadas kamuy. Como na maioria das tribos, a influencia religiosa é predominante, e através dela vieram as expressões artísticas, uma delas tatuar o corpo com símbolos e significados deísta.

As tatuagens estavam presentes em diversos aspectos e momentos na vida da tribo, inclusive a tradição era praticamente um pre-requisito para casamentos e um tipo de carimbo no visto, para a vida após a morte.

Faça tatuagem como uma garota

A curiosidade mais contagiante é que para os Ainu, a tatuagem era exclusiva das mulheres, assim como a profissão de tatuadora. De acordo com relatos mitológicos, a tatuagem foi trazida à terra pela “mãe ancestral” do Ainu Okikurumi Turesh Machi, que era a irmã mais nova do deus criador Okikurumi. Muitas das tatattos eram feitas no rosto, na região da boca.

A tatuagem representava um costume ancestral derivado de uma ancestral comum feminina e continuou através dos séculos na linhagem matrilinear. Para a tribo, não é de estranhar que a posição do tatuador era costumeiramente realizada por avós ou tias maternas que eram chamadas de “Tias da Tatuagem” ou simplesmente “Mulheres de Tatuagem”.

Estado vs Tatuagem

Em várias épocas da história, as autoridades japonesas proibiram o uso de tatuagens pelos Ainu (e outros povos étnicos sob sua autoridade como os povos indígenas de Taiwan) na tentativa de deslocá-los de suas práticas culturais tradicionais e prepará-los para o subsequente processo de civilização. Já em 1799, durante o Período Edo, o Xogunato Ezo proibiu tatuagens: “Em relação às tatuagens de boatos, os que já foram feitos não podem ser ajudados, mas os que ainda não nasceram estão proibidos de serem tatuados”. Por meados de 1871, a Missão de Desenvolvimento de Hokkaido proclamou, “aqueles nascidos depois deste dia são estritamente proibidos de serem tatuados” porque o costume “era muito cruel”. E de acordo com um observador ocidental, a atitude japonesa em relação à tatuagem era necessariamente desaprovada em seu próprio sistema cultural, “a tatuagem era associada ao crime e à punição, enquanto a prática em si era considerada uma forma de mutilação corporal, que, em caso de infligir voluntariamente, era totalmente avessa às noções prevalecentes de conduta filial confucionista”.

Um relatório da década de 1880 descreve que os Ainu ficaram muito tristes e atormentados pela proibição da tatuagem: “Dizem que os deuses ficarão com raiva e que as mulheres não podem se casar a menos que sejam tatuadas. Eles são menos apáticos sobre isso do que sobre qualquer assunto, e repetem com frequência: “É parte de nossa religião”.

Ritual Ainu para tatuar

Os tradicionais instrumentos de tatuagem Ainu, chamados makiri, eram em forma de faca, e às vezes as bainhas e alças dessas ferramentas eram esculpidas com motivos zoomórfico e apotropaico. Antes do makiri com ponta de aço, eram usados ​​pontos de obsidiana afiados que eram enrolados com fibra, permitindo que apenas a ponta do ponto se projetasse para controlar a profundidade das incisões.

À medida que o corte se intensificava, o sangue era removido com um pano saturado em madeira de freixo quente ou anti-séptico de madeira de feno chamado nire.

A fuligem tomada com os dedos do fundo de uma chaleira era esfregada nas incisões, e a tatuadora cantava então um yukar ou parte de um poema épico que dizia: “Mesmo sem ela, ela é tão bonita. A tatuagem em volta dos lábios dela, como é brilhante. Isso só pode ser imaginado.” Depois, a tatuadora recitava uma espécie de feitiço ou fórmula mágica à medida que mais pigmento era colocado na pele:“ pas ci-yay, roski, roski, pas ren-ren”, significando “fuligem permanecer fechado, fuligem afundar, afundar .”

Tudo isso era um evento tradicional e muito importantes, onde cada elemento ao redor tinha um significado.

Tatuagem labial só para mulheres

As tatuagens labiais completas das mulheres foram significativas em relação às percepções Ainu da experiência de vida. Primeiro, acreditava-se que essas tatuagens afastavam os maus espíritos de entrarem no corpo pela da boca e causavam doença ou infelicidade. Em segundo lugar, as tatuagens nos lábios indicavam que uma mulher havia atingido a maturidade e estava pronta para o casamento. E finalmente, as tatuagens labiais asseguraram a vida da mulher após a morte no lugar de seus antepassados ​​falecidos.

Segundo Romyn Hitchcock, um etnólogo que trabalha para a Smithsonian Institution no final do século 19, a tatuagem Ainu era colocada sobre a pele em intervalos específicos, o processo às vezes se estendendo por vários anos: “Os rostos das mulheres são desfigurados pela tatuagem na boca, cujo estilo varia de acordo com a localidade. Jovens donzelas de seis ou sete anos têm um pequeno ponto no lábio superior. À medida que envelhecem, isso é gradualmente estendido até que uma faixa mais ou menos larga rodeia a boca e se estende em uma curva afilada em ambas as bochechas em direção aos ouvidos.” Naturalmente, a tatuadora encorajava sua cliente a permanecer imóvel durante a dolorosa provação, pois acreditava-se que o ritual prepararia a menina para o parto, uma vez que ela se tornasse uma noiva. A dor era grande para essas meninas e em cada sessão, havia um ou mais assistente que a segurava para que a tatuadora pudesse continuar seu trabalho.

Símbolos e significados da tatuagem Ainu

Além das tatuagens de lábios, no entanto, as mulheres Ainu usavam várias outras marcas de tatuagem em seus braços e mãos, geralmente consistindo em desenhos curvilíneos e geométricos. Esses desenhos eram iniciados no quinto ou sexto ano e tinham a intenção de proteger as jovens dos maus espíritos. Era feito um padrão de trança, consistindo de duas listras retilíneas trançadas lado a lado ligadas a um tema especial. Isso representa um tipo de faixa também usada para amarrar os mortos para o enterro.

Assim como as cordas funerárias, a estrutura trançada das cintas trançadas das mulheres, chamadas de upsor-kut, era incorporada a uma “magia” sobrenatural e poderosa, simbolizando não apenas a virtude da mulher, mas também sua “força da alma”.

Segundo as crenças Ainu, as esposas das divindades eram tatuadas de maneira similar às mulheres Ainu, de modo que quando demônios malignos as vissem, eles iriam confundi-las com as divindades e isso os afastariam.

Elementos de design eram colocados nas bordas em torno de cada abertura em vestes tradicionais (pescoço, braços, pernas, fechamento frontal e bainha) e todas as bordas tinham referentes simbólicos. Por exemplo, as fronteiras superiores representavam o Mundo Superior e os padrões colocados ali ofereciam proteção nessa direção; a bainha representava o submundo ou o mundo subaquático; e as partes do meio representavam o mundo habitado por humanos.

Muito do que era estampado nas vestimentas de homens e mulheres da tribo eram representados nas tatuagens, fechando o circulo de proteção e fé que eram praticamente um modo de vida dos Ainu.

Sanja Matsuri: Festival que reune tatuagens e religião.

Para quem conhece e gosta da cultura japonesa, é redundância dizer que o Japão é um dos países mais exóticos do planeta, e ao mesmo tempo, controverso (no bom sentido da palavra).

Faça um raciocínio rápido e junte com tudo o que sabe sobre guerras e tomadas de poder, território etc. A história conta que, muitas delas existem, persistem ou se iniciaram por diferenças de crenças religiosas.

Em contraste com o que vemos no noticiário, a guerra religiosa parece não ter fim. Pois é, lembra o que acabei de dizer sobre a irônica contradição japonesa? Ela tem nome e existe desde o período Edo (1603-1868). O Sanja Matsuri 三社祭.

Sanja Matsuri não é só um festival que une seu povo pela comunhão religiosa e cultural, ele é um exemplo de que a fé ainda pode unir povos, ainda mais por que, uma das atrações do evento é a participação massiva e coletiva de pessoas tatuadas. Mas não são só de cidadãos comuns. Acompanhe.

 

Procissão japonesa

O festival Sanja Matsuri é dedicado aos Kami (espíritos) de três homens dedicaram suas vidas à fé budista ao encontrar estatueta do Bodhisattva Kannon, capturada em uma rede de pesca no Rio Sumida em 17 de maio de 628. Esses homens foram responsáveis por difundir o budismo sediado no templo, hoje conhecido como o Sensō-ji onde abriga a estátua de Kannon. Esse templo é o mais antigo de Tóquio.

O festival acontece em Asakusa (um bairro famoso em Tóquio). São 3 dias inteiros de festa, tornando-se um dos maiores festivais de Tóquio, ao lado de Kanda Matsuri e o Sanno Matsuri, ambos com viés religioso. Cerca de 100 mikoshi (santuários portáteis), desfilam pelas ruas de Asakusa para trazer sorte às empresas e moradores e neles são, simbolicamente, colocados os três deuses xintoístas (Kami). O mikoshi é carregado por vários participantes e é acompanhado por uma multidão. Muito parecido com as procissões no Brasil.

 

O “Carnaval da Yakuza”

O Sanja Matsuri é uma mistura de entretenimento, manifestação cultural e romaria budista. Mas, o que mais chama atenção no Sanja Matsuri é a exposição aberta de tatuagem de membros máfia japonesa, a Yakuza também conhecida como gokudō (極道) no país, que esperam o ano todo para “desfilar”.

Este é um dos únicos festivais do mundo que une a sociedade civil comum com os “ninkyō dantai” 任侠団体 ou 仁侠団体 como são os autointitulados membros da Yakuza.

Durante o evento, os yakuzas exibem orgulhosamente suas tatuagens usando apenas fundoshi (uma espécie de tanga de sumô).

As tatuagens ornamentais da Yakuza geralmente cobrem todo o corpo dos pulsos aos tornozelos até o colarinho, permitindo que os criminosos escondam os desenhos elaborados sob suas roupas.

Ser tatuado no estilo Irezumi no Japão é considerado um rito de passagem para a Yakuza, com imagens de samurais, dragões e peixes koi entre alguns dos desenhos populares.

No entanto, as tatuagens “ao estilo Yakuza” geralmente não agradam a maioria das camadas da sociedade japonesa. Lá, os banhos públicos ou “onsens” que são tradicionais e quase um ritual, proíbem tatuagens, na tentativa de dissuadir os membros de gangues de comparecerem.

Diferente de qualquer lugar no mundo, onde as facções criminosas tendem a evitar as aparições públicas, a Yakuza aproveita para demonstrar todo o seu poder de influência e provar que também tem necessidade de expressar sua fé através do corpo e da espiritualidade, afinal o festival e desfile Sanja Matsuri tem o objetivo de trazer sorte, bênçãos e prosperidade para a região de Asakusa e seus habitantes.

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Tatuagem Tibetana: simbolismo através do espiritualismo

O Tibete é uma região mística e cheia de simbolismos espirituais, linguísticos e político. Localizado no planalto da Ásia, ao norte da cordilheira do Himalaia é considerado um dos lugares mais altos do mundo, com uma elevação que chega a ser de 4.900 metros de altitude, sendo chamado por muitos de “teto do mundo”.

A história do Tibete começa a mais ou menos 2.100 anos atrás após uma dinastia militar fixar-se no território que passou a ser comandada pelo Imperador Songtsen Gampo. Após a conquista do território, Songtsen começou a transformar a civilização (que até então era um feudo) em um Império. Seu “reinado” durou até o ano 701, porém trouxe avanços importantes como a criação do alfabeto Tibetano, a criação do sistema legal, o livre exercício religioso do budismo, além de construir diversos templos. Durante toda sua história o Tibete foi um território disputado e desde 2000, o local é considerado patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO.

Por ser uma região recheada de contextos simbólicos, muita gente vê sua cultura como inspiração e escolhe gravar na pele seus símbolos, mantras e suas escritas. Para isso, é preciso saber um pouco sobre o alfabeto tibetano e seus significados para não tatuar algo sem sentido ou inexistente.img6-corresponding-script-styles-72

O Alfabeto Tibetano

O alfabeto tibetano foi composto no século VII pela tradução de textos sagrados do budismo. Derivado das escritas cursivas (Brahmi) utilizadas na Índia Central foi composto com um manifesto apurado de simplificação, graças a um rigoroso conhecimento da fonética. Atualmente, existem dois estilos diferentes da escrita tibetana.

A primeira escrita é a “dbu” comumente impressa em jornais, livros etc.
As consoantes são chamadas de “gsal byed” (sal je). As letras são mostradas na transcrição “Wylie”, isto é, uma representação das letras tibetanas na escrita romana (em inglês) mostrando exatamente como a palavra tibetana é soletrada ou dita na escrita tibetana.

A segunda escrita é derivada de um dialeto tibetano, mas não reflete a pronúncia mais comum no Lhasa Tibetano. Cada letra é seguida por um pequeno ponto, isto representa o final da sílaba.

Simbolismo por trás das Tatuagem Tibetana

Existem muitos mantras com diferentes sentidos e significados, não só na tradição budista tibetana, assim como as tradições e idiomas de origem asiática (chinês, japonês e tailandês, por exemplo).

O budismo tibetano é classificado como Vajrayana (sânscrito: “caminho do diamante”), tradição que surgiu entre iogues indianos, provavelmente a partir do século IV, como uma linha mahayana com mais meios para se chegar à realização — por exemplo, recitação de mantras, visualizações e meditações elaboradas.

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Para tatuar um mantra, palavra ou frase na linguagem tibetana é interessante ter um conhecimento maior do que o mantra representa e um pouco sobre sua origem e significado mais profundo. Há muitos recursos na Internet que explicam sobre os mantras como, por exemplo, o site Visible Mantra ou cursos de caligrafia tibetana.

A escrita tibetana carrega uma forte expressão religiosa/espiritual e esses mantras ou palavras sagradas devem ser respeitados quando se trata de manter a sua originalidade, e o próprio significado da tatuagem.

Muitas pessoas acreditam que o corpo é nosso templo, e alguns especialistas aconselham tatuar os mantras, palavras sagradas ou algum outro desenho com a caligrafia tibetana, na parte superior do corpo, sempre acima da linha da cintura. Outra dica é tomar cuidado para não tatuar as letras de trás para frente ou de cabeça para baixo. Também não é aconselhável colocar as tatuagens próximas às axilas, nádegas ou nas regiões genitais.

Além dos mantras, outros símbolos tibetanos são utilizados na tatuagem, como a caveira  Kapala e a divindade  Mahakala – O senhor do tempo, que já foram citados aqui no blog.

 

Toshio Shimada em entrevista para Jornal O Globo

Em participação de uma das maiores feiras de tatuagem da América Latina, a Tattoo Week Rio 2017, o tatuador paulista Toshio Shimada foi convidado pelo Jornal O Globo para entrevista especial sobre sua carreira e abordar o assunto que ele mais entende na vida: tatuagem. A seguir, leia na íntegra a matéria que saiu nesta quinta-feira (27), no site do Jornal O Globo.

Capa da matéria no site do Jornal O Globo


POR CLARISSA PAINS | 25/01/2017 

 “Tenho 41 anos, nasci em Itapetininga (SP) e comecei a tatuar em 1985, seguindo os caminhos do meu pai, filho de imigrantes japoneses. Em 1994, abri meu estúdio no Japão. Trabalhei com o estilo tradicional japonês de tatuagem, o wabori. Voltei ao Brasil em 2014 e inaugurei um estúdio na Liberdade, bairro paulistano da colônia japonesa.”

Conte algo que não sei.

Apesar de fazer tatuagem nos outros desde que eu tinha 10 anos, e de ter ganhado prêmios em países como Irlanda e Portugal, não tenho nenhuma tattoo em meu corpo.

E por que não?

Quando eu era criança e adolescente, tinha vontade, mas depois ela sumiu. Percebi que a tatuagem pode trazer muito estigma, e não quero que as pessoas me julguem só ao me olhar. Considero que é apenas o meu trabalho, minha vida profissional. Não quero brincar de Picasso na pele de ninguém e não acho que precise de tatuagens no meu corpo para ser um bom tatuador.

Os clientes estranham o fato de você não ter tatuagem?

Todos estranham. Mas o mais importante são os trabalhos que faço, e não o que tenho desenhado na pele. Há bons tatuadores que têm péssimas tatuagens no corpo. E aí isso vira um terrível cartão de visitas, para sempre. A tatuagem é algo permanente, e minha vida muda muito. Não acho que combine comigo.

Como você se interessou por tatuagens?

Meu pai descobriu a tatuagem no Brasil, ainda totalmente manual, com tinta de caneta. Depois, começou a construir as próprias maquininhas, e passei a me interessar. Em 1985, no primeiro Rock in Rio, tatuadores estrangeiros apareceram na TV. Nunca tínhamos visto isso na mídia. Era final de ditadura, quem tinha tatuagem era visto como bandido ou vagabundo. Foi então que comecei a tatuar. Resolvi me profissionalizar quando fui para o Japão, em 1994, e abri meu estúdio.

Qual a diferença entre ser tatuador no Brasil e no Japão?

No Japão, a tatuagem se popularizou depois dos anos 2000. Mas, agora, o governo quer restringir, porque considera que não é algo que, tradicionalmente, pertença à cultura japonesa. A tradição lá pesa muito. Já o Brasil é o segundo maior mercado no mundo, só perdendo para os EUA. O Brasil é muito aberto, é mais fácil ser tatuador aqui do que em um país como o Japão.

E qual o melhor lugar do mundo para ser tatuador?

Para o que eu faço, particularmente, considero que São Paulo é melhor do que Londres ou Tóquio. Mas, em geral, a Alemanha é muito boa para a profissão.

Você já sentiu preconceito por ser tatuador?

Sim, no Japão. Eu não pagava meu imposto como tatuador, e sim como desenhista. A profissão sofre pressão cada vez mais negativa no país. Foi um dos motivos que me fizeram querer voltar ao Brasil. Não adiantava continuar no Japão, um país superdesenvolvido, mas onde há pouca liberdade. Considero que é uma ditadura moderna.

Qual a dica para as pessoas não se arrependerem depois de fazer uma tatuagem?

Tem que pesquisar muito bem antes de se decidir pelo que vai desenhar na pele. Tem que ser pelo menos algo que sua avó diga “acho ridículo, mas está bem feito”.

Por que você acha que a tatuagem atrai tantas pessoas?

A tatuagem ainda é algo que desafia a sociedade, tem um quê de proibido. Ela só tem sentido se disser alguma coisa, se for capaz de expor uma crítica. Se todos fossem obrigados a ter tatuagem, ninguém iria querer. É uma resposta natural. E, como é clichê que todo tatuador tenha várias tattoos, isso me faz não querer ter nenhuma. É a minha forma de ir contra, de alguma maneira.


Fonte oficial:  http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/toshio-shimada-tatuador-tatuagem-ainda-desafia-sociedade-20821016#ixzz4Wxa44oie © 1996 – 2017. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. 

Toshio Shimada: Tattoo Week

O tatuador especializado em tatuagens em estilo japonês e motivos oriental, Toshio Shimada, estará presente na 5ª edição da Tattoo Week Rio que acontecerá no Centro de Convenção Sul América, na cidade carioca, entre os dias 13 e 15 de janeiro 2017. O evento é considerado o maior do gênero no Rio de Janeiro e recebe  grandes nomes da tatuagem, com 220 stands e apresentam as tendências e lançamentos mais atualizados do mercado mundial de tatuagens.

Toshio Shimada  viveu por mais de vinte anos no Japão onde aprendeu a técnica tebori com grandes mestres, Toshio iniciou os trabalhos de tatuagem junto de seu pai no final dos anos 80 aqui no Brasil. Já na maturidade de seu trabalho, rodou o mundo todo, tatuando em estúdios famosos da Europa, Ásia e nos EUA. Reconhecido no Brasil é referência no estilo Wabori nas terras tupiniquins, o artista utiliza a técnica milenar japonesa utilizando varas de bambus (Tebori). Toshio Shimada já ganhou diversos prêmios no segmento durante sua carreira, sempre priorizando um traço de qualidade, higiene e um visual impecável.

Durante o evento, Shimada fará apresentações de seus desenhos e demonstrações de suas técnicas para o publico em geral. A galera que estiver afim de conhecer mais sobre os trabalhos de Toshio é só comparecer no Tattoo Week Rio 2017 ou no estúdio Shimada Tattoo que fica Rua Galvão Bueno, 28 – Sala 21, Liberdade, São Paulo ( bem próximo ao metrô).

http://tattooweek.com.br/

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